Eu pensei assim: imagina se o antagonista de O Livro de Eli, Carnegie (Gary Oldman), tivesse tido sucesso em seu plano de reestruturar uma sociedade que foi abalada por algum “desígnio divino”, baseado em ações que são endossadas pelo livro sagrado dos Cristãos. Bom, ele não conseguiu, mas parece que alguém sim...

The Handmaid’s Tale se passa em um presente distópico, onde o mundo sofreu uma onda de infertilidade que afetou grande parte a população feminina incapacitando-as de perpetuar a espécie. Orquestrando um plano para tomar o poder, figuras políticas dos EUA conseguem dar um golpe de estado, mudando drasticamente o cenário social americano. Primeiramente é mudado o nome do país para República de Gilead, fazendo referência a cidade bíblica, que traduzida, significa “lugar seguro, de conforto, de consolo”. Só que não.

É implantado nessa nova república um Regime Totalitário Teocrático Religioso Cristão, estipulando o Antigo Testamento bíblico como sendo o livro de Leis e costumes a serem seguidos. Logo em seguida, são tirados to-o-o-o-dos os direitos das mulheres, iniciando com seus empregos, depois sua independência financeira (transferindo qualquer bem para o marido ou o homem da casa), e logo no fim do processo as mulheres perdem até sua própria identidade. Bizarro mas literal, pois as Aias, por exemplo, recebem seus nomes conforme a casa a qual irão servir. A Aia Offred recebe esse nome por que está à disposição do Comandante Fred Waterford, sendo então Of Fred (do Fred; que pertence ao Fred).

Offred nos mostra a história que é contada em três linhas temporais diferentes; um flashback do passado um pouco antes do Regime, outro flashback após o controle tendo as mulheres subjugadas, e o presente. Sua função como Aia se resume a fazer coisas simples na casa, como fazer compras, e a principal é ser estuprada mensalmente. Sim, as Aias tem que comparecer em seu período fértil em um ritual chamado de Cerimônia, onde ela é obrigada a manter relações sexuais com seu comandante e ainda por cima, deitada com a cabeça no colo de sua esposa. Todo esse processo, como já disse, é endossado por versículos do Antigo Testamento Bíblico.




Os episódios são bem explicados mostrando bem a ambientação e a motivação dos personagens, que possuem tramas singulares, desde o motorista da casa até o Comandante e sua esposa.

O elenco da série não deixa a desejar com atuações que enchem os olhos, principalmente a da atriz Elisabeth Moss, que faz um magnífico trabalho no papel da Aia Offred, transferindo toda carga emocional deixando o espectador a par de todos os seus sentimentos.


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The Handmaid’s Tale é adaptada do livro homônimo da escritora Margaret Atwood (ela dá uma pontinha no 1º episódio dando um pedala na Offred) e é transmitida pela plataforma de streaming Hulu (indisponível nas terras tupiniquins).
Basicamente é o que tem a ser dito sem expor a excelente trama que a história propõe ao desenrolar da temporada. Então pode confiar que a série vai te surpreender.


The Handmaid’s Tale – 1ª Temporada — EUA, 2017
Criação: Bruce Miller
Elenco: Elisabeth Moss, Yvonne Strahovski, Max Minghella, Amanda Brugel, Joseph Fiennes, Madeline Brewer, O-T Fagbenle, Ann Dowd, Samira Wiley, Nina Kiri, Tattiawna Jones, Alexis Bledel
Direção: Reed Morano, Mike Barker, Kate Dennis, Floria Sigismondi, Kari Skogland
Roteiro: Bruce Miller, Dorothy Fortenberry, Leila Gerstein, Lynn Renee Maxcy, Kira Snyder, Wendy Straker Hauser, Eric Tuchman, Ilene Chaiken (baseado no livro de Margaret Atwood)



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